The Newsroom: o bom drama que deu errado
Crítica

The Newsroom: o bom drama jornalístico que deu errado

Por 2 de fevereiro de 2015 fevereiro 19th, 2019 Sem Comentários
serie the newsroom

 

spoilerThe Newsroom era a aposta da HBO para o quesito “drama jornalístico”. Aclamada pela crítica americana em sua primeira temporada, a série caminhava bem em seu eixo narrativo até que o segundo ano trouxe dúvidas sobre o futuro e a veracidade da trama.

Em 2014, Jeff Daniels ganhou o prêmio de melhor atuação pelo papel do temido âncora Will McAvoy, o que estimulou o interesse da audiência pelo programa. Os novos episódios também receberam um reforço no elenco, com a participação de Jane Fonda como a dona do império televisivo. Os problemas sobre a interpretação exagerada da profissão pareciam perdoados. Porém, a história perseguiu um suposto erro de reportagem que levou a uma conclusão insatisfatória e um tanto novelesca.

Com menos episódios, a terceira temporada tinha como objetivo consertar as imperfeições do enredo, reconhecidas publicamente pelo criador Aaron Sorkin. Perseguidos pela culpa de transmitir a informação manipulada para a sua audiência, o último ano de The Newsroom mostrou como a equipe da Atlantis Cable News recuou na busca pela criatividade e pelo furo de reportagem. A perspectiva convincente da cobertura do atentado terrorista de Boston, a exemplo de outros temas tratados previamente como as eleições americanas e os Tea Party, conseguiu captar a essência do imediatismo e do caos jornalístico em tempo real. Outras matérias, como a cobertura de um suposto estupro em uma universidade americana, não foram tão vitoriosas e só apontaram mais falhas na construção do roteiro.

Trama do terceiro ano não escapou dos clichês

Trama do terceiro ano não escapou dos clichês

Infelizmente, a conclusão das jornadas pessoais dos personagens também não escapou dos clichês. Em meio a pressão do governo para revelar a fonte de um vazamento polêmica, McAvoy se casou com MacKenzie (Emily Mortimer) e passou meses confinado na prisão – uma pena que o público tenha acompanhado o confinamento em pequenas cenas. Maggie enfrentou a sua crise de identidade após o terror presenciado na África, aceitou um novo emprego e iniciou um relacionamento com Jim. Neal perseguiu uma das matérias mais importantes de sua carreira, ficou foragido, e retornou aos EUA para assumir o seu papel na cobertura on-line do telejornal.

Dito isso, o destaque ficou mesmo para Charlie Skinner (Sam Waterston), que lutou pela credibilidade e qualidade do jornalismo realizado pela empresa, mesmo após a sua venda para outro grupo comercial. Neste aspecto, o enredo não poderia ser mais contemporâneo, uma vez que a necessidade simples de entreter o público domina os noticiários atuais. A importância das ações do personagem receberam o reconhecimento apenas no último episódio, em seu enterro, o grande cenário para o fim do seriado. Uma pena que The Newsroom tenha falhado em atingir a fórmula ideal para a sua sobrevivência na televisão.

Julia Benvenuto

Julia Benvenuto

Jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP. É autora da tese "A Revolução dos Losers: como o seriado americano Glee representa a juventude do século 21".

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