O elenco de The Big Bang Theory levou a San Diego uma retrospectiva dos 10 anos da série durante o painel da Comic-Con 2017. Kaley Cuoco (Penny), Johnny Galecki (Leonard), Kunal Nayyar (Raj) e Kevin Sussman (Stuart) dividiram o palco com os produtores executivos Chuck Lorre e Steven Molaro para revisitar uma década de física teórica e humor nerd e revelar alguns bastidores que os fãs mais atentos ainda não conheciam.
Hawking no set, Adam West no bolo
Entre os momentos rememorados no painel, as participações especiais ganharam destaque. Bob Newhart como Professor Proton rendeu ao ator um Emmy em 2013 — prêmio que o veterano levou na categoria de ator convidado em comédia aos 84 anos, tornando-se um dos mais velhos a vencer nessa categoria na história da premiação. Adam West apareceu no episódio comemorativo de número 200 da série, exibido em 2016, ao lado de outros rostos famosos que a produção reuniu para a ocasião.
Mas foi Stephen Hawking quem arrancou a melhor história da noite. O físico participou de The Big Bang Theory em cinco episódios ao longo das temporadas, uma parceria que começou em 2012 e que o próprio Hawking descreveu publicamente como prazerosa. Kaley Cuoco revelou o constrangimento que sentiu durante as gravações: “Stephen estava no set enquanto gravávamos o episódio. Lembro que ele ficou enquanto a Penny perguntava quem era ele. Ela disse: ‘O cara que anda na cadeira de rodas e escreve sobre o tempo’. Fiquei tão envergonhada.” A cena, claro, ficou no episódio e virou um dos momentos mais citados pelos fãs justamente pela combinação de ingenuidade da personagem com a presença real do cientista a poucos metros.
O sobrenome que nunca veio
Os fãs presentes aproveitaram o painel para cobrar uma resposta sobre um dos mistérios mais antigos da série: o sobrenome de Penny. A personagem chegou ao episódio final da décima temporada — e ao altar com Leonard — sem que o show jamais revelasse sua identidade completa. Chuck Lorre admitiu em entrevistas anteriores que a omissão começou como descuido e virou piada interna, depois tradição deliberada.
Cuoco deu a resposta mais próxima de uma conclusão que os fãs vão conseguir: “Tenho ele na minha cabeça, o que acredito que seja. Mas agora é Penny Hofstadter, então não importa.” Com o casamento consumado na décima temporada, a produção sinalizou que o mistério vai permanecer sepultado debaixo do sobrenome do marido.
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10 anos de The Big Bang Theory
The Big Bang Theory chegou à Comic-Con 2017 em posição confortável. A série, que estreou em setembro de 2007 na CBS com audiência modesta — cerca de 8 milhões de espectadores no piloto —, construiu ao longo da década uma base fiel que a transformou na sitcom mais vista da televisão americana por vários anos consecutivos. No auge, em torno das sétimas e oitavas temporadas, os episódios reuniam entre 19 e 20 milhões de espectadores por semana nos EUA, número que colocava a produção de Chuck Lorre em patamar comparável ao de Friends nos anos 1990.
A 11ª temporada, com estreia marcada para 25 de setembro nos EUA, chegaria com um reajuste salarial histórico já acertado: Cuoco, Galecki e Jim Parsons negociaram contratos de cerca de US$ 1 milhão por episódio cada, tornando-se três dos atores mais bem pagos da televisão americana naquele momento. Parsons, ausente do painel em San Diego, é o rosto mais associado à série globalmente — seu Sheldon Cooper rendeu ao ator quatro Emmys entre 2010 e 2014.
A série encerraria sua corrida duas temporadas depois, em maio de 2019, com 279 episódios e um spin-off já consolidado: Young Sheldon, lançado em 2017, seguiu no ar até 2024. Para uma sitcom que começou sendo rejeitada por grupos de foco antes da estreia (o piloto original foi completamente reescrito após testes negativos), o painel lotado na Comic-Con representa uma virada improvável.
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Julia Benvenuto é jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado). Com sólida experiência na cobertura de entretenimento e cultura, atuou como repórter para veículos de grande prestígio nacional, como a revista Casa e Jardim e o jornal Folha de S.Paulo. É pesquisadora da cultura pop e autora da tese acadêmica "A Revolução dos Losers: como o seriado Glee, valendo-se de símbolos da cultura pop e técnicas de dramatização da Broadway, representa a juventude do século 21”. No Pop Séries, dedica-se à crítica cinematográfica, à análise de narrativas televisivas e à cobertura dos principais lançamentos do mercado de streaming.