Colony: produtores revelam detalhes da 3ª temporada

A terceira temporada de Colony chega ao USA Network com uma promessa clara dos produtores executivos Ryan Condal e Wes Tooke: abrir o mundo da série para além dos muros de Los Angeles. Em entrevista ao Pop Séries, os dois detalharam o que esperar dos novos episódios, do destino da família Bowman ao esclarecimento de perguntas sobre a Ocupação que ficaram em aberto desde a primeira temporada.

O que tem fora de LA

Depois de fugir da colônia no final da segunda temporada, Will (Josh Holloway), Katie e os filhos não vão se fixar em um único lugar. A família percorre diferentes blocos ao longo da temporada, e a série usa essa movimentação para mostrar como a Ocupação funciona em outros territórios. “O público quer descobrir o que há fora do mundo e nós vamos mostrar isso. E também vamos apontar como a vida de outras colônias se diferencia de LA”, explicou Condal. É uma guinada significativa para uma série que, nas duas primeiras temporadas, construiu quase toda a tensão dentro de um único ambiente controlado, com os Bowmans espremidos entre a lealdade ao sistema e a resistência clandestina.

Colony estreou em janeiro de 2016 com números sólidos para o USA Network, atraindo cerca de 4 milhões de espectadores no episódio de abertura, o que representou uma das melhores estreias da emissora naquele período. A segunda temporada manteve a base de fãs, mas a decisão de expandir a geografia da narrativa na terceira pode ser uma resposta tanto à necessidade criativa de renovação quanto ao interesse em reposicionar a série em um cenário de streaming crescente.

Trauma infantil e liderança forçada

No núcleo familiar, as mudanças mais concretas envolvem os filhos. Bram assume o papel de filho mais velho com responsabilidades reais dentro do grupo, participando de decisões que antes eram exclusividade dos pais. Charlie, por sua vez, carrega as marcas psicológicas de tudo que viveu nas ruas após ser separado da família. “Ele estará emocionalmente distante e apresentará sérios problemas psicológicos”, adiantou Tooke. É um arco que a série vinha construindo desde o reencontro do personagem com os pais, mas que ganha mais espaço agora.

A questão que Tooke coloca como central para a temporada tem peso dramático real: como manter desejos individuais em um mundo que exige coesão para sobreviver? A pergunta se aplica tanto a Will e Katie, cuja relação passou por traições e segredos ao longo de dois anos, quanto a cada membro da família tentando preservar algo de si enquanto o mundo ao redor continua desmoronando.

Snyder fora do controle, aliens com agenda

O ex-comandante Snyder, um dos personagens mais ambíguos da série, tem suas intenções reveladas logo nos primeiros episódios da nova temporada. Mas o que muda é o contexto: fora da colônia, Snyder se depara com uma realidade que ele não controla e que o surpreende. “Lembrem-se: em Colony, as coisas tendem sempre a piorar”, disse Condal, deixando claro que nenhuma mudança de cenário vai simplificar as escolhas morais dos personagens.

Sobre a Ocupação em si, Tooke foi direto: perguntas sobre a origem e as ambições dos extraterrestres serão respondidas. A terceira temporada promete avançar em uma das maiores frustrações da audiência, que esperou dois anos por respostas concretas sobre por que os aliens estão na Terra e o que planejam fazer com a humanidade.

Colony foi criada por Carlton Cuse, produtor com currículo extenso em Lost e Bates Motel, e Ryan Condal, que mais tarde viria a ser co-showrunner de A Casa do Dragão. O trabalho de Condal em Colony funciona, hoje, como uma espécie de laboratório do que ele desenvolveria em escala maior na HBO, especialmente no que diz respeito a estruturas de poder, colaboracionismo e moral em tempo de guerra. Quem assiste às duas séries reconhece o mesmo interesse em personagens que precisam escolher entre sobreviver e manter princípios, sem que a narrativa julgue nenhuma das opções com facilidade.

  • amanda negrini scaled Colony: produtores revelam detalhes da 3ª temporada

    Amanda Negrini é jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado). Especialista em cultura pop e comportamento, é pesquisadora musical e autora da tese acadêmica “A Evolução das cantoras Pop Americanas: a criação de Madonna e a inovação de Lady Gaga".

    Com credencial de imprensa internacional, cobriu eventos como a San Diego Comic-Con e a New York Comic-Con, realizando entrevistas exclusivas com criadores e elencos de produções globais como The Walking Dead, Supernatural e Cobra Kai. No Pop Séries, dedica-se à análise de premiações, videoclipes, comportamento no entretenimento e à cobertura de séries clássicas e contemporâneas.

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