Crítica American Horror Story Coven

spoilerAssim como as bruxas, Ryan Murphy possui o poder da versatilidade. Além de emplacar seriados com grandes índices de popularidade, como Glee, o autor consegue escrever histórias fascinantes e peculiares em cada temporada de American Horror Story. Intitulado Coven, o terceiro ano do seriado foi um grande sucesso de audiência: conquistou mais de 4 milhões de telespectadores em seu último episódio, The Seven Wonders.

Trailer promove season finale de Coven

O sucesso de American Horror Story tornou-se recorrente. O seriado é aclamado pela crítica e público desde o seu lançamento, em 2011, e recebeu recordes de indicações em prêmios, com destaque no Emmy Awards. Mas como Coven conseguiu conquistar o título da grande sensação da televisão americana?

Bruxas, elas estão à solta na televisão americana

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A resposta mais plausível seria: sendo pop. Partindo da premissa que o seriado deveria ser algo horripilante por contar histórias de terror, Coven cumpriu com o seu papel. Na verdade, não foi tão intenso como Asylum, mas exibiu cenas de torturas realizadas por Madame Delphine LaLaurie (Kathy Bates), sacrifícios de animais e matanças explícitas. Axeman também mostrou todo o poder sanguinolento de seu machado. Entretanto, desta vez, a crueldade não foi o grande trunfo do seriado.

Coven: você sabe quem foi Madame Lalaurie?

Coven é considerada uma febre por contemplar personagens feministas e possuir uma trama adolescente que invoca bruxas superpoderosas. Fiona Goode (Jessica Lange) é a expressão de uma mulher poderosa e autoconfiante. Sempre soberba e corajosa. Na maioria das vezes, não tinha o menor pudor de mostrar o seu lado mais sombrio. Nem mesmo o Papa Legba conseguiu comprar a sua alma. Entretanto, a protagonista era divertida e tinha um humor negro capaz de revelar ironias e realidades da vida. O seriado foi uma grande celebração do feminismo. Os personagens masculinos – Kyle, Spalding e Axeman – foram secundários e viveram como objetos à mercê da decisão dessas obstinadas mulheres. Como Misty Day fez questão de afirmar: “Nós não precisamos de um homem para nos proteger”.

Coven: confira o estilo das bruxas modernas

A série trouxe também a expressão da cultura pop ao longo de sua narrativa. A fascinação pela moda e pelo estilo foi fundamental para a criação das bruxas modernas. Não é a toa que a última palavra de Myrtle Snow (Frances Conroy), ao ser queima da na fogueira, foi “Balenciaga!” – uma homenagem à marca de alta-costura. A imagem de Fiona era mais audaciosa por conta de seu figurino imponente. O intuito foi mostrar como mulheres excêntricas conseguem impor sua imagem em mundo tão sedento pela aparência da perfeição. Em The Seven Wonders, por exemplo, a utilização da mídia para propagar a missão da Miss Robichaux também deixou claro as intenções de Murphy em promover a popularização da bruxaria. Nada como um local perfeito para abrigar pessoas consideradas desajustadas pela sociedade.

 

 

Cordelia Foxx (Sarah Paulson) é eleita a nova Suprema de Coven

Cordelia Foxx (Sarah Paulson) é eleita a nova Suprema de Coven

Para aqueles que reclamaram que a terceira temporada de American Horror Story foi um conto de fadas com toques de crueldade, é preciso entender que no mundo de Murphy sempre há um final feliz. Por isso, a escolha de Cordelia Foxx (Sarah Paulson) como a nova Suprema foi tão sensata. A personagem sofreu rejeição durante a vida, foi enganada pelo marido e vítima da cegueira. Porém, com essas experiências, alcançou a superação e enxergou o mundo por um novo prisma. Cordelia tinha maturidade e senso de justiça para ocupar o posto de líder do clã.

Elenco comenta o sucesso da atração

Mesmo parecendo clichê, o desfecho foi comovente por apresentar uma conversa final entre Cordelia e Fiona, em que a vilã tenta buscar uma redenção. Sem máscaras, sem beleza e com aparência extremamente frágil, Fiona concede sua aprovação para filha e busca algumas migalhas de compaixão em seus últimos segundos de vida.

Coven: confira vídeo dos bastidores da atração

Para a próxima temporada, Murphy afirmou que a série será ambientada na década de 1950, mas não revelou grandes detalhes sobre a trama. Apenas comentou que Lange começou a treinar o sotaque alemão. Com certeza, os fãs podem esperar por uma nova e talvez horripilante história. Será que a Suprema se transformará em uma terrível nazista?

 

Amanda Negrini

Amanda Negrini

Jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP. Especialista em cultura pop, é autora da tese "A Evolução das cantoras Pop Americanas: a criação de Madonna e a inovação de Lady Gaga".

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