A evolução do anti-herói
Crítica

De Breaking Bad a Dexter: a evolução do anti-herói

Por 2 de outubro de 2013 janeiro 15th, 2018 Sem Comentários

spoiler

Dexter Morgan e Walter White despediram-se da televisão americana no final de setembro. Os dois vilões, muito admirados e queridos pelo público, encerraram suas sagas com grandes temporadas de sucesso. Com certeza, os telespectadores sentirão falta da boa qualidade das tramas e da oscilação do comportamento e do caráter de seus protagonistas.

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Dexter (Michael C. Hall) não morreu! A despedida do amado psicopata foi aguardada por todos com grande ansiedade. A grande questão a ser respondida era como um personagem tão peculiar iria pagar por todos os seus crimes e atitudes cruéis? A oitava temporada mostrou uma sucessão fatos precipitados e personagens novos que não agregaram vivacidade ao enredo.

Michael C. Hall comenta despedida de Dexter

Primeiro, foi o surgimento de Dra. Vogel, a terapeuta que ajudou o pai de Dexter a construir seu guia de bom comportamento. Depois, foi a vez de Zach Hamilton, um jovem assassino que Dexter pensou em ser mentor. Ao longo dos capítulos, vimos o protagonista criar uma comunidade de pessoas que, de certa forma, o compreendiam sem nenhum disfarce. O protagonista também adotou um discurso de uma possível cura devido ao amor que sentia por Hannah. A jovem, que também não tinha boa índole, foi capaz de interromper sua necessidade de matar.

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No final, o protagonista buscou a redenção através da infelicidade e solidão. Depois da morte de Debra (que acabou com todas as possibilidades de um spin-off), ele não poderia encontrar a felicidade ao lado de sua amada e deu seu filho. Muitos consideraram o final estranho, sem mencionar alguns fatos inacreditáveis como o do personagem roubar o corpo da irmã do hospital e partir com seu barco rumo ao furação. O que resta afirmar é que este protagonista tão complexo e inovador terminou sua história tornando-se um lenhador. Impossível não se decepcionar.

 

Walter White (Bryan Cranston): o anti-herói em busca de redenção.

Walter White (Bryan Cranston): o anti-herói em busca de redenção.

Breaking Bad, por sua vez, foi digno de aplausos. A série, que também foi premiada pelo Emmy 2013, obteve sucesso de audiência e crítica em sua última exibição. A morte de Walter White (Bryan Cranston) estava marcada desde o começo da atração, afinal o personagem foi diagnosticado com um câncer de pulmão terminal. Talvez, pelo fato da morte não ser surpresa, o criador do seriado, Vince Gilligan, conseguiu exibir um final muito bem construído.

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Em Felina, o protagonista conseguiu que os antigos sócios entregassem, para seu filho Walter Jr.,  sua parte do dinheiro arrecadado no tráfico de drogas. Ele também armou um esquema para que sua esposa, Skyler, escapasse da acusação de envolvimento em seus crimes. Com uma moral sombria, Walter também salvou seu parceiro Jesse das mãos de uma gangue rival. De certa forma, ele atuou como um bom herói durante o último capítulo.

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O que torna Walter White um personagem extraordinário é a maneira obscura com que ele enfrenta os padrões morais. No começo, ele tinha uma desculpa de fazer o mal para o bem maior, afinal sua família corria risco de se tornar miserável. Entretanto, depois de cinco temporadas, adaptou-se perfeitamente ao novo trabalho como traficante e  mostrou um lado impiedoso de seus instintos.

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No final, Walter próprio foi capaz de fazer um balanço de sua transformação: “Eu fiz isso por mim. Eu gostei e era bom nisso”. Para completar seu pensamento, a última cena é embalada pela música da banda Badfinger que afirma: “Acho que eu tive o que eu mereci”. Os mais de 10 milhões de telespectadores americanos, que acompanharam o desfecho, também concordaram.

 

Amanda Negrini

Amanda Negrini

Jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP. Especialista em cultura pop, é autora da tese "A Evolução das cantoras Pop Americanas: a criação de Madonna e a inovação de Lady Gaga".

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