Fox estreia terceira temporada da série nacional #MeChamadeBruna em dezembro

A Fox estreia nesta sexta-feira (7), às 23h no Fox Premium 1, a terceira temporada de Me Chamo Bruna, série inspirada na trajetória de Bruna Surfistinha, pseudônimo da escritora e ex-garota de programa Raquel Pacheco, cuja autobiografia vendeu mais de 500 mil cópias no Brasil e virou filme em 2011 com Déborah Secco no papel principal.

O que muda na vida de Raquel desta vez

Os novos episódios acompanham Raquel (Maria Bopp) num momento de virada: ela finalmente conquista a clientela de classe média alta que sempre almejou, e a mudança de patamar financeiro reconfigura sua rotina, suas relações e sua percepção sobre o próprio trabalho. A temporada não abandona, porém, o recurso dos flashbacks, que aqui aprofundam o período escolar da personagem e o bullying que moldou a jovem que ela se tornaria. É um movimento que a série já havia ensaiado antes, mas que ganha peso dramático maior quando colocado em paralelo com a notícia que desestabiliza toda essa nova estabilidade: o pai de Raquel recebe um diagnóstico terminal.

A dinâmica do Cancun, o prostíbulo que funciona como epicentro da série, segue presente, com Michelle, vivido por Wallace Ruy, mantendo sua centralidade na trama coletiva das trabalhadoras do local. Me Chamo Bruna sempre equilibrou o arco individual de Raquel com esse retrato coral, e a terceira temporada aparentemente aposta nessa estrutura já consolidada.

Caras novas num elenco que a série foi construindo aos poucos

As novidades no elenco trazem nomes conhecidos de produções brasileiras recentes. Ravel Andrade chega depois de passar por 10 Segundos, série da Record. Enzo Romani vem de Rocky Story, produção do SBT que tentou, com sucesso moderado, reviver o formato de telenovela musical. Ana Hartmann é presença frequente em produções independentes, com passagem por O Homem da Cabeça de Laranja. María Smigay integrou o elenco de Cemitério das Delícias. A incorporação mais chamativa, no entanto, é a do rapper MV Bill, figura histórica do funk e do hip-hop carioca e ativista com décadas de atuação em causas ligadas às periferias do Rio. Seu papel na série ainda não foi detalhado, mas a presença de um artista com esse histórico num universo que a série insiste em retratar com olhar menos moralista que o habitual não parece acidental.

O que a série representa no cenário atual

Me Chamo Bruna foi lançada em 2016 e chegou à segunda temporada em 2017, consolidando-se como uma das apostas mais consistentes da Fox no mercado de séries brasileiras originais, ao lado de produções como Quatro Luas e os experimentos do canal com conteúdo nacional adulto. A série nunca foi um fenômeno de massa, mas construiu audiência fiel e recebeu avaliações positivas pela forma como abordou prostituição sem recorrer ao melodrama redentor ou à condenação moralizante, um equilíbrio difícil num país onde o tema ainda provoca reações viscerais.

Maria Bopp, que carregou a série desde o início, veio do teatro e do cinema independente, e sua construção da personagem foi frequentemente citada pela crítica como o principal ativo da produção. A terceira temporada a coloca diante de um dilema familiar que expande o alcance emocional da narrativa sem precisar abandonar o ambiente que a define.

Com três temporadas concluídas, Me Chamo Bruna ocupa uma posição rara na ficção serial brasileira: é uma série sobre sexo e trabalho que trata os dois assuntos com seriedade equivalente, sem que um precise justificar o outro.

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