Natalie Dormer assinou para Penny Dreadful: City of Angels, spin-off da série da Showtime ambientada em Los Angeles de 1938. A produção parte de um assassinato que arrasta um detetive local para dentro do folclore mexicano-americano e da rede de espionagem nazista que se expandia pelos Estados Unidos às vésperas da Segunda Guerra Mundial.
Uma demônia com mil rostos no Los Angeles do entre-guerras
Dormer interpreta Magda, uma demônia shapeshifter capaz de assumir qualquer aparência, descrita pelos produtores como carismática, inteligente e deliberadamente imprevisível. É o tipo de papel que exige presença física e versatilidade cênica ao mesmo tempo, e o casting faz sentido: a atriz passou anos construindo personagens que operam nas bordas da moralidade. Em Game of Thrones, Margaery Tyrell era exatamente isso, alguém que sorri enquanto calcula. Em The Tudors, sua Anne Boleyn seguiu a mesma lógica. Magda parece uma síntese disso tudo, com a diferença de que agora o sobrenatural está explícito no roteiro, não apenas subentendido no comportamento.
O cenário de 1938 não é escolha aleatória. Los Angeles vivia uma disputa real entre grupos de simpatizantes nazistas, como o German American Bund, e comunidades latinas que resistiam à pressão de um estado que ainda processava as deportações em massa da era Hoover. A série usa esse contexto como pano de fundo para o conflito entre forças sobrenaturais, o que coloca City of Angels mais perto de um thriller político-sobrenatural do que do horror gótico vitoriano que definia o original.
O criador de volta ao comando, com um elenco jovem e experiente
John Logan criou Penny Dreadful original, exibida pela Showtime entre 2014 e 2016. A série acumulou audiências sólidas durante as duas primeiras temporadas e chegou a ser renovada antes de Logan decidir encerrá-la na terceira, numa conclusão que dividiu o público, parte dos fãs considerou apressada. City of Angels não é uma continuação direta: mantém o universo de terror sobrenatural, mas troca a Londres vitoriana pelo sul da Califórnia e substitui as referências literárias do original, Frankenstein, Dorian Gray, Drácula, por mitologia mesoamericana centrada na figura de Santa Muerte.
Logan acumula os créditos de criação, roteiro e produção executiva. O elenco inclui Daniel Zovatto, que ganhou visibilidade em Fear the Walking Dead e no filme de terror It Follows (2014), e Jessica Garza, conhecida de The Purge, a série da USA Network baseada na franquia de filmes. A combinação de um nome estabelecido como Dormer com atores associados ao horror contemporâneo sugere uma série que quer equilibrar reconhecimento imediato e energia nova.
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O que muda para quem assistiu ao original
Penny Dreadful original terminou em 2016 com uma base de fãs fiel, mas nunca chegou a ser um fenômeno de massa nos moldes de outras produções da Showtime do mesmo período. City of Angels chega num momento em que os spin-offs de universos já encerrados viraram estratégia recorrente nos canais a cabo americanos, com resultados variáveis. A Showtime apostou na mesma lógica com Twin Peaks: The Return em 2017, que foi recebido como evento cultural mesmo décadas depois do original.
A diferença aqui é que City of Angels não precisa carregar o peso de uma mitologia específica: os personagens são novos, o cenário é novo, e Logan tem liberdade para construir algo que funcione de forma independente. Para quem assistiu ao original, o vínculo é de estética e tom, não de continuidade narrativa. Para quem não assistiu, é uma entrada sem pré-requisitos. Esse tipo de construção costuma ampliar a audiência sem alienar quem já estava lá, o que é exatamente o que a Showtime precisa que aconteça.

