Pose: série de Ryan Murphy é renovada para a terceira temporada

Pose foi renovada para a terceira temporada antes mesmo da segunda completar sua estreia. A FX confirmou a continuidade da série no mesmo dia em que o primeiro episódio da nova fase registrou 1,2 milhão de espectadores, o número mais alto da história do programa até então.

O baile como espelho de uma era

A segunda temporada deu um salto para 1990, ano em que Vogue, de Madonna, levou a cultura ballroom de Nova York para as paradas mundiais. O episódio de estreia usa esse momento como âncora narrativa: a canção não aparece como trilha decorativa, mas como evento que reorganiza as relações de poder entre os personagens. Blanca, interpretada por MJ Rodriguez, continua no centro da trama como mãe-de-santo de uma house LGBT em pleno epicentro da crise da AIDS, período que a série retrata com mais brutalidade do que qualquer outra produção do gênero.

Pose estreou em 2018 com um feito inédito: reuniu o maior elenco de atores trans já escalado para uma série dramática na televisão americana. Foram cinco protagonistas trans e mais de cinquenta figurantes trans nos episódios da primeira temporada. Esse dado, à época, circulou amplamente na imprensa especializada como marco de representação, mas o que sustentou a série foi outra coisa: a qualidade da escrita, assinada por Ryan Murphy ao lado de Brad Falchuk e Steven Canals, criador original do projeto.

Os nomes que carregam o peso da história

Billy Porter, que interpreta o apresentador de bailes Pray Tell, venceu o Emmy de melhor ator em série dramática em 2019 pela primeira temporada, tornando-se o primeiro homem abertamente gay a receber o prêmio nessa categoria. A vitória aconteceu depois de décadas de carreira no teatro, onde Porter construiu reputação na Broadway antes de Pose o projetar para o circuito televisivo de prestígio.

MJ Rodriguez, Dominique Jackson e Indya Moore completam o núcleo principal. Rodriguez já acumulava trabalhos no teatro musical antes da série, mas foi Pose que consolidou seu nome no mercado de Los Angeles. Indya Moore, que interpreta Angel, modelo em ascensão na trama, tornou-se capa da revista Time em 2019 dentro de uma matéria sobre representação trans na mídia americana, ao lado de outras figuras do elenco.

Ryan Murphy produziu Pose em paralelo a outros projetos volumosos para a FX e, depois, para a Netflix, com quem fechou contrato de exclusividade em 2018 avaliado em 300 milhões de dólares. Ainda assim, a série seguiu na FX como parte de um acordo anterior, o que garantiu à emissora um dos títulos mais premiados de seu catálogo recente.

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O que 1,2 milhão significa para uma série desse tipo

O número pode parecer modesto comparado a produções de redes abertas, mas dentro do ecossistema do cabo americano, e especialmente para uma série com temática tão específica, representa uma audiência consolidada. A primeira temporada de Pose estreou com cerca de 882 mil espectadores no modelo de exibição linear, e o crescimento para 1,2 milhão na estreia da segunda indica que a série ganhou público entre as temporadas, trajetória que a FX costuma exigir para confirmar renovações com agilidade.

A decisão de renovar antes do fim da temporada segue o padrão que a emissora adotou com outras séries de prestígio, como Atlanta e The Americans, priorizando a estabilidade criativa acima da espera por números finais. Para Pose, isso tem peso adicional: séries com elenco majoritariamente trans historicamente enfrentam dificuldade de financiamento e distribuição, e a renovação antecipada funciona como sinal de compromisso institucional com a produção.

A terceira temporada deve continuar avançando na linha do tempo. Se a série mantiver o ritmo das elipses anteriores, a década de 1990 ainda tem muito chão, e a crise da AIDS, que já opera como pano de fundo, deve ganhar espaço ainda maior na narrativa.

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