Game of Thrones chegou ao HBO em abril de 2011 com uma premissa que parecia improvável para a televisão americana: uma adaptação cara, violenta e moralmente ambígua dos romances de George R.R. Martin, especialmente A Song of Ice and Fire. A série foi criada por David Benioff e D.B. Weiss, que levaram quase uma década tentando convencer Martin a ceder os direitos. O autor só topou após os dois responderem corretamente quem era a mãe de Jon Snow, prova de que conheciam o material a fundo.
A trama se passa em Westeros, continente fictício com geografia inspirada na Europa medieval, onde o clima segue ciclos imprevisíveis: verões que podem durar anos e invernos que se estendem por gerações inteiras. Sete grandes famílias nobres disputam o controle político dessa terra fragmentada por uma guerra civil recente. No centro de tudo está o Trono de Ferro, forjado com as espadas derretidas dos inimigos do primeiro rei Targaryen e símbolo do poder absoluto sobre os Sete Reinos. Quem senta nele comanda. Quem o ambiciona demais, em geral, morre.
O piloto custou cerca de 10 milhões de dólares e foi refilmado quase inteiramente após uma primeira versão ser considerada confusa pelos executivos da HBO. A refilmagem adicionou personagens, reorganizou cenas de exposição e redefiniu o tom visual da série. Mesmo assim, a estreia registrou 2,2 milhões de espectadores nos Estados Unidos, um número modesto para os padrões da emissora na época. A audiência cresceu episódio a episódio e, na segunda temporada, já havia dobrado.
No elenco inicial, Sean Bean interpretou Eddard Stark, o patriarca honrado que serve como âncora moral da narrativa. Emilia Clarke entrou como Daenerys Targaryen, princesa exilada que começa humilhada e termina a temporada com três dragões recém-nascidos. Peter Dinklage ficou com Tyrion Lannister, o filho renegado de uma das famílias mais poderosas, e entregou uma performance que lhe rendeu o Emmy de melhor ator coadjuvante em drama já na primeira temporada, em 2011.
A série foi filmada em múltiplas locações reais para dar escala ao mundo de Martin. Belfast, na Irlanda do Norte, serviu como base principal de produção. A Islândia representou as terras além da Muralha, ao norte. Marrocos e Malta apareceram nas cenas ambientadas em Essos, o continente do outro lado do Mar Estreito. O orçamento cresceu a cada temporada e chegou a 15 milhões de dólares por episódio nas últimas temporadas.
A recepção crítica da estreia foi amplamente positiva. O New York Times e o The Guardian elogiaram a ambição da produção e a qualidade do elenco, mas alguns críticos questionaram se o público de televisão aceitaria uma fantasia épica tão densa e politicamente complicada. A resposta veio rapidamente: Game of Thrones se tornou a série mais pirateada do mundo por vários anos consecutivos, dado que a própria HBO usou como indicador de alcance cultural. Ao longo de oito temporadas, a produção acumulou 59 Emmy Awards, o maior número da história para uma série dramática, superando a marca anterior de The West Wing.



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