A Band e a TNT estreiam Terminadores no dia 16 de fevereiro, às 22h30, com reprise na TNT dois dias depois, às 19h. A série vai ao ar com dois episódios por semana nas duas emissoras simultaneamente, um modelo de distribuição ainda pouco comum para produções nacionais, que geralmente ficam presas a um único canal.
O negócio de terminar o que os outros não conseguem
A premissa parte de uma pergunta prática: quando falta coragem para encerrar um relacionamento, quem você chama? A resposta é César, ex-psicanalista que largou o divã para fundar uma agência especializada em terminar namoros e casamentos por encomenda. Ele não acredita mais no amor e trata o matrimônio como uma anomalia social. Ao lado dele está Diana, cerimonialista profissional de casamentos que carrega uma grande frustração pessoal, justamente o tipo de combinação que garante atrito dramático sem precisar forçar conflito.
O diretor Gualter Pupo define Terminadores como uma “comédia anti-romântica” e aposta no reconhecimento imediato do tema. Não é difícil entender o porquê: pesquisas do IBGE mostram que o Brasil registra mais de 400 mil divórcios por ano, um número que cresce consistentemente desde a promulgação da Emenda Constitucional 66 de 2010, que eliminou o prazo mínimo de separação. O universo da série, portanto, não precisa se justificar; já existe na vida real de boa parte do público.
Improviso com roteiro, e dois atores que precisam funcionar juntos
Terminadores é produzida pela Hungry Man, produtora com histórico sólido em publicidade e conteúdo audiovisual no Brasil e nos Estados Unidos. A técnica de filmagem mistura roteiro fechado com improviso, o que exige elenco confortável com imprevisibilidade em cena. Paulo Tiefenthaler, que interpreta César, tem passagem por séries como Rensga Hits! e experiência consolidada em comédia. Laila Zaid, escalada para Diana, é mais conhecida pelo teatro paulistano, mas tem acumulado trabalhos em produções de streaming e TV aberta nos últimos anos.
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A dupla é complementada por Daniel Furlan e Stella Miranda, cujos personagens ainda não foram detalhados pela produção, mas que provavelmente orbitam a agência central da trama. Tiefenthaler descreveu o arco do seu personagem com precisão: “Ele não acredita mais no amor e trata o casamento como algo estranho. Diana chega para amolecer o seu coração.” É o conflito mais velho da comédia romântica, invertido. César não é o herói em busca do amor, é o homem que construiu uma carreira inteira fugindo dele.
O que muda quando Band e TNT dividem a mesma série
A exibição simultânea em TV aberta e TV paga ainda gera dúvidas sobre canibalização de audiência, mas a lógica aqui é outra. A Band alcança um público geograficamente disperso que a TNT, por depender de assinatura, não consegue atingir. A TNT, por sua vez, concentra um espectador mais jovem e urbano, exatamente o perfil que consome comédia com tom ácido. A estratégia lembra o que a Globo e a Globoplay testaram com algumas produções originais, mas aplicada a uma parceria entre dois canais distintos, o que é menos comum.
Para a Band, Terminadores representa um investimento em ficção original num momento em que a emissora tem apostado em entretenimento e jornalismo para recuperar relevância na grade. A última série brasileira de comédia a funcionar bem na TV aberta fora do universo Globo foi Os Aspones, da Record, em 2019, que chegou a 8 pontos de ibope em São Paulo. Terminadores chegam sem esse histórico para bater, mas também sem a pressão de substituir um sucesso anterior. É uma janela aberta para um formato que a Band raramente explora com produção própria.
Se a mistura de improviso e roteiro funcionar em tela, a série tem chance real de criar uma identidade própria num subgênero, a comédia de relacionamento com protagonistas que desprezam relacionamentos, que o streaming explorou bastante nos últimos anos mas a TV brasileira ainda pouco testou.
Julia Benvenuto é jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado). Com sólida experiência na cobertura de entretenimento e cultura, atuou como repórter para veículos de grande prestígio nacional, como a revista Casa e Jardim e o jornal Folha de S.Paulo. É pesquisadora da cultura pop e autora da tese acadêmica "A Revolução dos Losers: como o seriado Glee, valendo-se de símbolos da cultura pop e técnicas de dramatização da Broadway, representa a juventude do século 21”. No Pop Séries, dedica-se à crítica cinematográfica, à análise de narrativas televisivas e à cobertura dos principais lançamentos do mercado de streaming.


