O aguardado Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor finalmente chegou aos cinemas, encerrando uma espera de quase três décadas. Sandra Bullock e Nicole Kidman retornam aos papéis das irmãs Sally e Gillian Owens, assumindo também a produção do longa.
A nova trama adapta diretamente o livro The Book of Magic, publicado pela escritora Alice Hoffman em 2021. Logo nos primeiros minutos, o público descobre que as apostas se tornaram muito mais perigosas para a nova geração.
O gatilho da história é o temido retorno do “besouro da morte”, um sinal claro de tragédia na família. A ameaça recai sobre Kylie, a filha mais velha de Sally, vivida agora pela atriz Joey King. Kylie descobre sua linhagem de bruxa da pior maneira possível. Sem saber do peso de seu sangue, a jovem se declara para o namorado e ativa acidentalmente a mortal maldição familiar.
Diferente do longa original de 1998, que focava em uma pequena cidade costeira, o roteiro expande suas fronteiras geográficas. Da Magia à Sedução 2 coloca três gerações de bruxas em uma viagem internacional de alto risco rumo ao Reino Unido.
O objetivo da família Owens é rastrear a origem da magia de sua ancestral, Maria Owens. Essa é a única chance viável para tentar destruir o feitiço que impede as mulheres da linhagem de amarem.
A direção da sequência ficou a cargo de Susanne Bier, conhecida por trabalhos densos como Bird Box e The Undoing. Essa escalação técnica afasta o filme do formato de comédia romântica despretensiosa, trazendo um ar maduro à produção.
A trama mistura toques de humor com suspense, luto e momentos genuinamente emocionantes sobre a força feminina. Sally, frustrada por ter perdido maridos para a maldição, começa o filme reprimindo sua própria magia para evitar sofrimento. Esse sentimento de negação é profundamente testado durante a missão de resgate de sua filha no exterior. Apesar do peso emocional, o filme encontra espaço para resgatar a nostalgia exata que consagrou a franquia original na TV.
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Vale lembrar que o primeiro Da Magia à Sedução foi um fracasso de bilheteria para a Warner Bros. na época de seu lançamento. O longa só se tornou um sucesso anos depois, graças às constantes exibições na televisão e ao público fiel. Para honrar essa base de fãs, o estúdio precisou desembolsar milhões de dólares no design de produção da sequência. A icônica casa vitoriana das Owens nunca existiu na vida real, sendo apenas uma fachada cenográfica nos anos 1990.
A equipe precisou reconstruir a residência inteira do zero, garantindo que cada detalhe visual replicasse o ambiente que o público conhecia. Além do cenário, o longa faz referências diretas a momentos clássicos, como a famosa cena das margaritas na cozinha.
Um detalhe curioso dos bastidores do primeiro filme é que o elenco estava genuinamente embriagado gravando a icônica dança. Nicole Kidman havia levado tequila real para o set, o que conferiu uma organicidade inesquecível ao momento.
Antes de conseguirem trazer as atrizes originais de volta, o universo de bruxas quase tomou um rumo diferente. A plataforma Max desenvolveu em 2019 uma série prelúdio chamada Rules of Magic, focada na juventude das tias Frances e Jet.
A produção mostraria a comunidade bruxa nos anos 1960, mas acabou cancelada na surdina após enfrentar problemas de desenvolvimento. O engavetamento do projeto abriu caminho para que a continuação cinematográfica orgânica ganhasse vida nas mãos de suas estrelas.
Ao fugir do estereótipo da bruxa sombria e focar no amor familiar, Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor entrega um desfecho digno e coeso. Resta saber se o público vai aprovar o novo destino da família Owens!
Julia Benvenuto é jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado). Com sólida experiência na cobertura de entretenimento e cultura, atuou como repórter para veículos de grande prestígio nacional, como a revista Casa e Jardim e o jornal Folha de S.Paulo. É pesquisadora da cultura pop e autora da tese acadêmica "A Revolução dos Losers: como o seriado Glee, valendo-se de símbolos da cultura pop e técnicas de dramatização da Broadway, representa a juventude do século 21”. No Pop Séries, dedica-se à crítica cinematográfica, à análise de narrativas televisivas e à cobertura dos principais lançamentos do mercado de streaming.



