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Once Upon a Time: um conto de heroínas modernas

A narrativa de Once Upon a Time, à primeira vista, evoca a familiaridade dos contos de fadas mais queridos: donzelas indefesas, príncipes heroicos e vilões unidimensionais. Uma rainha, sedenta por poder, consulta seu espelho mágico, revelando Branca de Neve como sua rival. A solução cruel é a de sempre: um caçador é enviado para tirar a vida da jovem. Ele a encontra na floresta, mas sua compaixão o faz deixá-la fugir. Até este ponto, o roteiro é previsível.

Mas é exatamente nesse ponto crucial que o seriado americano Once Upon a Time, exibido com grande sucesso pelo canal Sony, quebra o molde secular. A Branca de Neve que conhecemos aqui é tudo, menos uma vítima passiva. Esqueça a donzela indefesa; nesta releitura moderna, a protagonista (Ginnifer Goodwin) manuseia uma espada, enfrenta criaturas mitológicas e confronta a maquiavélica Rainha Má, Regina (Lana Parrilla). Essa é a essência revolucionária do programa, divergindo radicalmente dos irmãos Grimm e da Disney.

Os roteiristas Adam Horowitz e Edward Kitsis (de Lost) mergulharam fundo nos contos de fadas, reformulando-os para o século XXI. Esta reinterpretação reflete a agenda feminina moderna, reivindicando um papel ativo para as mulheres. Diferente das princesas de outrora, as mulheres de Once Upon a Time dominam seus destinos, tornando-se heroínas fortes, independentes e emancipadas. Essa abordagem audaciosa foi um acerto em cheio, garantindo grande sucesso de audiência e uma legião de fãs.

A redefinição feminina em Storybrooke

A narrativa central de Once Upon a Time gira em torno de um sacrifício monumental. Para proteger sua filha recém-nascida, Emma Swan, da Maldição Sombria da Rainha Má, Branca de Neve e o Príncipe Encantado a abandonam. A praga aprisiona todos os habitantes do Reino dos Contos de Fadas em Storybrooke, Maine, sob amnésia e sem magia. Vinte e oito anos depois, a chegada de Emma Swan (Jennifer Morrison) a Storybrooke, uma cética caçadora de fianças, começa a quebrar o feitiço, alterando o destino de todos. O seriado brilha ao brincar com o dualismo entre o mundo mágico e o cotidiano de Storybrooke, com um roteiro que cativa. A complexidade dos personagens femininos é a espinha dorsal: Regina busca redenção em meio à dor, enquanto Emma, a Salvadora, aceita seu destino, transformando-se de individualista em uma líder capaz, cuja força reside no amor e na família. Mulan, Chapeuzinho Vermelho (Ruby) e Belle também se tornam protagonistas, mostrando força e resiliência, moldando um novo ideal de heroína.

once upon a time

A maldição de Regina é o motor pulsante da série, explorando os “e se” dos contos de fadas. Storybrooke é um purgatório para os personagens encantados, um limbo onde suas identidades reais estão ocultas. Mary Margaret é a Branca de Neve, uma professora com conexão inexplicável a David Nolan (Príncipe Encantado). A chegada de Emma, a única que pode quebrar a maldição, é o ponto de virada, e sua jornada de ceticismo para a crença é o coração da primeira temporada. A segunda temporada aprofunda essa dinâmica. Após a quebra parcial da maldição, que revela as identidades dos moradores, a ponte entre os mundos se abre. Emma e Branca de Neve ficam presas no mundo dos contos de fadas, enfrentando novos perigos. É nesse contexto que o charmoso e perigoso Capitão Gancho (Colin O’Donoghue) faz sua entrada, iniciando uma dinâmica complexa com Emma. Paralelamente, a assustadora Cora (Barbara Hershey), mãe de Regina, surge como nova antagonista, tecendo intrigas e revelando segredos obscuros que ameaçam a paz de Storybrooke.

Conflitos complexos e o poder da transformação

Assim como em Lost, o roteiro de Once Upon a Time cria profunda empatia. Cada personagem, por mais vilão que pareça, tem uma história de fundo complexa, cheia de trauma e escolhas difíceis. As personagens femininas continuam no epicentro desse desenvolvimento. Regina, a Rainha Má, passa por um arco de redenção longo e humano, mostrando nuances entre bem e mal. Emma, a princípio uma solitária, descobre a importância da família e do amor, e sua força vem da conexão e liderança com o coração.

Agora, após um breve recesso, Once Upon a Time retorna com uma trama mais envolvente. Um assassinato chocante aterroriza Storybrooke. Regina é a principal suspeita. Mas será ela a real assassina, ou há forças mais sinistras em jogo? Nesta cidade onde magia e realidade se entrelaçam, nem tudo é o que parece. A série continua a explorar destino versus livre-arbítrio, redenção, busca pela família e o poder do sacrifício, mantendo o público ansioso pela próxima reviravolta mágica de Storybrooke.

 

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