Revenge: crítica da 3ª temporada
Crítica

Revenge: terceiro ano questiona os limites da ficção

Por 15 de maio de 2014 janeiro 2nd, 2018 2 Comentários
Revenge: Emily tenta provar inocência de Jack

 

spoilerA terceira temporada de Revenge estreou repleta de grandes promessas. A contratação de Sunil Nayar como produtor executivo trouxe a expectativa de que a série retomasse sua premissa principal. Nada era mais importante do que concentrar a história na vingança de Emily Thorne (Emily VanCamp) contra a família Grayson. E a mudança foi cumprida: a Iniciativa acabou e os primeiros dez primeiros episódios mostraram os passos determinados da protagonista para derrubar seus inimigos. Finalmente, houve uma briga pública e direta entre Emily e Victoria, e a heroína tornou-se uma Grayson casando-se com Daniel.

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Entretanto, a partir do casamento a série deu indícios de que estava, novamente, perdendo o rumo com reviravoltas mirabolantes. Emily planejou, durante anos, o grande dia em que incriminaria Victoria Grayson (Madeleine Stowe) pela injustiça cometida contra seu pai. Sendo assim, seu plano deveria ser muito mais criativo e infalível do que foi exibido no barco em que protagonista foi baleada pelo próprio marido. A perda da memória também foi um artifício mal utilizado que só serviu para comparar a atração com um dramalhão mexicano. Revenge merecia melhores justificativas para os atos de seus protagonistas.

A entrada de novos personagens também não foi preponderante para agregar mudanças. A aparição do filho mais velho de Victoria gerou grande ansiedade. Patrick Osbourne (Justin Hartley) tinha como objetivo abalar a estrutura da poderosa família, mas no final das contas acabou sendo apenas um caso amoroso, e mal resolvido, de Nolan Ross (Gabriel Mann). E quando não havia mais espaço para Patrick na trama, ele foi enviado para um curso de artes na Itália.

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O mesmo aconteceu com Stevie Grayson (Gail O’Grady), que apareceu prometendo boas discussões principalmente com Victoria. Porém, o espectador acabou descobrindo que ela era mulher de princípios, ex-alcoólatra e que só gostaria de conhecer seu filho abandonado. E Jack Porter (Nick Wechsler) acabou sendo premiado com uma mãe biológica. Impressionante como a população dos Hamptons é tão pequena e tão entrosada para que coincidências como essa aconteçam. Ainda bem que Jack foi poupado de ser um Grayson.

 

Patrick Osbourne (Justin Hartley) e Victoria Grayson (Madeleine Stowe)

Patrick Osbourne (Justin Hartley) e Victoria Grayson (Madeleine Stowe)

Novos integrantes, na maioria da vezes, são ótimos para agregar dinamismo e ótimas surpresas para uma série. Em Revenge, as novas adições atrapalharam os arcos narrativos de alguns personagens. Charlotte Grayson, por exemplo, foi esquecida durante muitos capítulos e sua participação, além de mínima, contribuiu apenas para o desfecho do terceiro ano. Por sorte, ela foi a responsável por revelar a verdade sobre Conrad Grayson e conseguiu incriminar Jack, por engano, de seu sequestro.

A morte de Aiden não foi uma grande surpresa, por conta do canal ABC anunciar que o ator Barry Sloane já estava confirmado para uma outra atração da emissora. Entretanto, Victoria ser responsabilizada pelo assassinato foi fundamental para que a briga fique mais intensa na próxima temporada. O desfecho, da vilã no manicômio, foi o melhor acerto dos criadores do programa.

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Sobre a sobrevivência de David Clarke, a aparição tem que ser vista com cautela. Provavelmente, os produtores reservaram uma explicação plausível para que ele esteja vivo. Mesmo assim, Emily se transformará em uma heroína que foi enganada, ou por uma boa causa ou por desconhecer a verdadeira personalidade de seu pai. Ambas situações abalam o principal objetivo de vingança da série. Essas explosivas reviravoltas são, na maioria das vezes, fascinantes para o público e conseguem alavancar bons índices de audiência. No entanto, mesmo em uma ficção tão dramática como Revenge, é necessário um limite para que ações tão fantasiosas não acabem com uma trama tão boa.

Amanda Negrini

Amanda Negrini

Jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP. Especialista em cultura pop, é autora da tese "A Evolução das cantoras Pop Americanas: a criação de Madonna e a inovação de Lady Gaga".

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