Ricky Whittle estava no Brasil quando o Pop Séries sentou com ele para uma conversa sobre a segunda temporada de American Gods, que chega ao Amazon Prime Video em 10 de março. O ator adiantou o tom dos novos episódios com uma palavra: despedidas.
Shadow Moon e os deuses que o mundo esqueceu
American Gods é baseada no romance de Neil Gaiman publicado em 2001, best-seller que mistura mitologia, imigração e identidade americana numa estrada que atravessa o coração dos Estados Unidos. Na adaptação, Ricky Whittle vive Shadow Moon, ex-presidiário que sai da cadeia, perde a mulher num acidente e acaba sendo contratado pelo misterioso Mr. Wednesday como segurança e assistente. O que parece um emprego esquisito revela, aos poucos, uma guerra invisível entre divindades antigas, trazidas ao país por imigrantes ao longo dos séculos, e novos deuses nascidos da tecnologia, da mídia e do consumo.
A primeira temporada, exibida pelo Starz nos Estados Unidos em 2017, foi bem recebida pela crítica, com 75% de aprovação no Rotten Tomatoes, e se tornou uma das estreias mais comentadas do canal naquele ano. A direção de David Slade em vários episódios e a produção de Bryan Fuller e Michael Green garantiram uma estética visceral e deliberadamente perturbadora, que diferenciava a série de qualquer outra adaptação fantástica em exibição na época. Fuller e Green deixaram o projeto antes da segunda temporada, numa saída controversa que gerou especulação sobre conflitos criativos com o estúdio. Jesse Alexander assumiu o comando da nova fase.
O que Whittle revelou sobre os bastidores
Na entrevista ao Pop Séries, Ricky Whittle falou sobre a dinâmica com Ian McShane, que interpreta Mr. Wednesday, o deus Odin disfarçado de golpista de meia-idade. McShane é veterano de televisão com décadas de carreira, conhecido principalmente por Deadwood, série da HBO que durou três temporadas entre 2004 e 2006 e gerou um filme de conclusão anos depois. Whittle descreveu a relação nos bastidores como próxima e colaborativa, com McShane funcionando como referência dentro das gravações.
Na NY Comic-Con de 2018, Neil Gaiman já havia preparado o público para o que está por vir: um funeral faz parte dos novos episódios. Whittle confirmou que “despedidas” é o fio condutor da temporada, o que sugere que a série vai aprofundar o custo humano, e divino, dessa guerra que a primeira temporada apenas apresentou. No livro, o arco do funeral tem peso narrativo considerável, e a adaptação parece decidida a enfrentá-lo.
O que muda com a segunda temporada
Para o espectador brasileiro, American Gods chega pela primeira vez ao Amazon Prime Video, o que amplia bastante o acesso em relação à exibição original pelo Starz, canal por assinatura com espaço limitado fora dos Estados Unidos. A série já tinha circulado no país por outros meios, mas a plataforma coloca os episódios novos ao alcance direto de quem acompanha o catálogo da Amazon.
Ricky Whittle chegou à série depois de um período relevante em The 100, drama pós-apocalíptico do CW onde interpretou Lincoln por três temporadas. O papel em American Gods representou um salto de escala e visibilidade, e a segunda temporada é o primeiro grande teste de como ele sustenta o protagonismo numa produção mais cara e mais ambiciosa. Shadow Moon é, no livro de Gaiman, um personagem que observa mais do que age durante boa parte da história, o que exige do ator uma presença física e contida ao mesmo tempo. A primeira temporada estabeleceu isso. A segunda vai precisar levar o personagem a um lugar diferente.
Com a troca de showrunner e a promessa de mortes e despedidas, a temporada chega carregando tanto as expectativas criadas pela estreia quanto as dúvidas sobre o que muda sem Fuller e Green no comando. O funeral que Gaiman mencionou em outubro vai ser o momento em que a série prova se conseguiu manter a alma do livro mesmo com outra equipe no leme.
Amanda Negrini é jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado). Especialista em cultura pop e comportamento, é pesquisadora musical e autora da tese acadêmica “A Evolução das cantoras Pop Americanas: a criação de Madonna e a inovação de Lady Gaga".
Com credencial de imprensa internacional, cobriu eventos como a San Diego Comic-Con e a New York Comic-Con, realizando entrevistas exclusivas com criadores e elencos de produções globais como The Walking Dead, Supernatural e Cobra Kai. No Pop Séries, dedica-se à análise de premiações, videoclipes, comportamento no entretenimento e à cobertura de séries clássicas e contemporâneas.



