A partir de 4 de agosto, o GNT exibe a terceira temporada de Sessão de Terapia, e desta vez a série chega com um diferencial importante: roteiro original brasileiro. Nas duas primeiras temporadas, o programa seguia de perto o formato de BeTipul, série israelense criada por Hagai Levi em 2005, e de sua adaptação americana In Treatment, exibida pela HBO entre 2008 e 2010. Agora, Jaqueline Vargas, que já havia conduzido as adaptações anteriores, assina um texto inteiramente seu. “Eu imaginava um monte de situações para o Theo, agora tive a oportunidade de colocar tudo em prática”, disse ela no evento de lançamento realizado em São Paulo.
O divã como palco único
A premissa continua a mesma das temporadas anteriores: cada episódio acompanha uma sessão terapêutica conduzida pelo psicólogo Theo Cecatto, vivido por Zé Carlos Machado, em tempo quase real. O formato, que exige muito mais do ator do que um drama convencional, já rendeu a Machado o prêmio de Melhor Ator no Festival de Cinema e TV de Gramado nas edições anteriores. Nesta temporada, o psicólogo retorna à supervisão com Dora, interpretada por Selma Egrei, e divide um caso clínico com outros profissionais. A abertura da temporada rompe com o padrão visual da série: Theo aparece velejando durante um período sabático, em uma cena com luminosidade incomum ao universo fechado do consultório.
Os quatro pacientes da vez são Bianca Cadore, uma mãe em um casamento violento vivida por Letícia Sabatella; Diego, um adolescente alcoolista de 16 anos interpretado por Ravel Andrade; e Rafael, o próprio filho de Theo, um viciado em cocaína que Johnnas Oliva preparou com um laboratório em clínica de reabilitação. “Fiquei disfarçado por algumas horas e, quando contei que era ator, acharam que eu estava delirando”, conta o ator. O quarto paciente não foi revelado no evento. A presença de Rafael na história cria uma camada extra para Theo: o terapeuta que trata um adolescente dependente químico enquanto lida com o mesmo problema dentro de casa.
Mais espaço, mais Theo em Sessão de Terapia
Zé Carlos Machado descreveu a terceira temporada de Sessão de Terapia como a mais aprofundada em termos de construção do personagem. Segundo o ator, o ritmo acelerado das gravações anteriores deixava pouco espaço para pesquisa. Desta vez, ele se dedicou a leituras de psicanálise e trabalhou mais de perto com consultores da área. “Trabalhamos o mais íntimo do ser humano e foi necessário aprofundar o Theo”, disse. Selton Mello, que dirige a série desde a primeira temporada, também é produtor do projeto e vê na autonomia autoral desta temporada um sinal de maturidade da produção televisiva brasileira.
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O que muda quando a adaptação vira original
Sessão de Terapia estreou no GNT em 2012 e rapidamente se tornou uma das produções mais premiadas da TV por assinatura brasileira, acumulando troféus em festivais como Gramado e nos prêmios da APCA. A série integrou um movimento de valorização do drama de câmara na televisão brasileira, ao lado de produções como Doce de Mãe e Unidade Básica, que apostaram em elencos de teatro e ritmo mais lento do que o da TV aberta.
Escrever um roteiro original é um passo diferente de adaptar. Vargas já conhece Theo melhor do que qualquer outro roteirista poderia, mas agora responde sozinha por decisões que antes tinham o amparo de uma estrutura narrativa consagrada. BeTipul foi vendida para mais de 20 países e In Treatment sobreviveu a três temporadas na HBO original e a um revival em 2021 com Uzo Aduba no papel principal. A versão brasileira, ao se desprender desse modelo, entra em um território que pouquíssimas adaptações nacionais ousaram explorar. O resultado vai determinar se Sessão de Terapia é mais do que uma tradução competente de uma boa ideia estrangeira.

