Suits: 5ª temporada encerra principal arco narrativo da série

A quinta temporada de Suits encerrou seu arco mais ousado com Mike Ross na cadeia, uma virada que a série demorou cinco anos para executar e que reposiciona completamente a dinâmica que sustentou o show desde o piloto.

Suits estreou em 2011 na USA Network e passou anos funcionando a partir de uma premissa de equilíbrio instável: Mike Ross (Patrick J. Adams) trabalhava como advogado sem diploma em um dos escritórios mais poderosos de Nova York, e cada temporada acrescentava uma camada nova de personagens dispostos a encobrir a fraude. A fórmula funcionou bem por um tempo. A série chegou a ser o drama mais assistido da emissora, com médias próximas de 4 milhões de espectadores por episódio nas primeiras temporadas. Mas a repetição do mesmo ciclo, crise existencial de Mike, ameaça de exposição, salvação coletiva, começou a desgastar a audiência a partir da terceira temporada.

A quinta temporada foi a resposta direta a esse problema. Ao dividir a temporada em dois blocos com registros distintos, os roteiristas, liderados pelo criador Aaron Korsh, conseguiram usar a primeira metade para respirar e a segunda para fechar a conta. O resultado é que Mike aceita uma proposta de delação e vai preso, algo que o show postergou por tempo suficiente para que a cena tivesse peso real quando chegou.

O que cada personagem tinha a perder

A escolha de concentrar os seis últimos episódios nas consequências pessoais e profissionais de Mike revela um amadurecimento no roteiro que nem sempre esteve presente nas temporadas anteriores. Patrick J. Adams entregou nessa reta final algumas de suas melhores cenas na série, especialmente nos momentos em que a lealdade de Mike a Harvey Specter (Gabriel Macht) é usada explicitamente como argumento da acusação. A ironia é precisa: a virtude mais celebrada do personagem se torna a prova mais sólida contra ele.

Gabriel Macht acompanha esse deslocamento com uma contenção que contrasta com o Harvey das primeiras temporadas. A declaração de amor a Donna (Sarah Rafferty), que o fandom perseguia desde o começo, chega exatamente no bloco mais leve da temporada, como se os roteiristas soubessem que o segundo bloco não deixaria espaço para esse tipo de resolução emocional.

Rick Hoffman, como Louis Litt, continua sendo o personagem mais imprevisível do elenco. A ambiguidade entre humor e pathos que o ator sustenta na cena em que tenta se firmar como sócio de destaque é o tipo de trabalho que passa despercebido em análises mais superficiais da série, mas que dá textura a episódios que, sem ele, seriam puramente funcionais.

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O que a sexta temporada herda

Suits chega à sua sexta temporada em uma posição rara para uma série que já passou do quinto ano: com um problema narrativo genuíno para resolver. Harvey precisa reconstruir sua posição no escritório sem o parceiro que definiu sua trajetória recente. Jessica Pearson (Gina Torres) e Louis precisam operar em um cenário de reputação comprometida. E Rachel (Meghan Markle, que em 2018 deixaria a série para se casar com o príncipe Harry, em uma saída que obrigou a produção a reescrever arcos inteiros) ancora a dimensão pessoal da ausência de Mike.

A USA Network renovou Suits para a sexta temporada ainda durante a exibição da quinta, sinal de confiança em um momento em que o cabo americano enfrentava pressão crescente dos serviços de streaming. A série também encontrou uma segunda vida relevante na Netflix, onde consistentemente aparece entre os títulos mais assistidos em vários países, inclusive no Brasil, fenômeno que trouxe novos espectadores para a franquia décadas depois da estreia.

O que a quinta temporada entrega, no fim, é uma série disposta a desmontar o que a tornou popular para descobrir o que ainda tem a dizer. Isso não é pouca coisa depois de cinco anos.

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    Amanda Negrini é jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado). Especialista em cultura pop e comportamento, é pesquisadora musical e autora da tese acadêmica “A Evolução das cantoras Pop Americanas: a criação de Madonna e a inovação de Lady Gaga".

    Com credencial de imprensa internacional, cobriu eventos como a San Diego Comic-Con e a New York Comic-Con, realizando entrevistas exclusivas com criadores e elencos de produções globais como The Walking Dead, Supernatural e Cobra Kai. No Pop Séries, dedica-se à análise de premiações, videoclipes, comportamento no entretenimento e à cobertura de séries clássicas e contemporâneas.

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