Bridgerton chegou à Netflix em dezembro de 2020 e quebrou recordes da plataforma em semanas. A série produzida por Shonda Rhimes, criadora de Grey’s Anatomy e Scandal, acumulou 82 milhões de visualizações no primeiro mês, tornando-se, à época, o maior lançamento da história do streaming. O número colocou a produção à frente de títulos como The Witcher e Stranger Things no ranking interno da Netflix, e consolidou a Shondaland como uma das produtoras mais relevantes do catálogo.
A história acompanha a família Bridgerton, composta por oito irmãos, navegando o disputado mercado matrimonial da alta sociedade londrina no início do século XIX. Os episódios transitam entre os bailes suntuosos de Mayfair, os salões aristocráticos de Park Lane e os bastidores de uma temporada social regida por regras rígidas e ambições disfarçadas de etiqueta. A adaptação parte dos romances de Julia Quinn, publicados entre 2000 e 2006, uma série de oito livros, cada um centrado em um dos irmãos Bridgerton.
A produção foi filmada majoritariamente no Reino Unido, com locações reais como o Holburne Museum em Bath, usado como a residência dos Bridgerton, e Wilton House, em Wiltshire, que dobrou como vários palácios da aristocracia. O design de produção apostou em anacronismos calculados: a trilha sonora usa versões orquestrais de hits contemporâneos de artistas como Ariana Grande e Taylor Swift, uma escolha que gerou tanto elogios pela originalidade quanto críticas pela superficialidade. A diretora de elenco optou por um cast racialmente diverso, decisão que a série justifica narrativamente sem grandes explicações, algo que dividiu opiniões na crítica especializada mas agradou ao público de forma consistente.
Chris Van Dusen assinou como showrunner nas duas primeiras temporadas antes de ser substituído por Jess Brownell a partir da terceira. A mudança de bastidores coincidiu com uma reorganização na ordem dos livros adaptados: a terceira temporada pulou a história de Benedict Bridgerton, terceiro irmão na sequência original, para priorizar o romance de Colin e Penelope, quarto livro da série. A decisão foi influenciada pela popularidade dos atores Luke Newton e Nicola Coughlan, esta última já conhecida pelo público do streaming graças a Derry Girls e ao papel em The Great.
A segunda temporada, lançada em março de 2022, também bateu recordes, atingindo 251 milhões de horas assistidas nas primeiras quatro semanas, o que a tornou a temporada de série em língua inglesa mais vista da história da Netflix até aquele momento. O resultado sustentou a renovação antecipada para as temporadas três e quatro, com a Netflix encomendando os dois ciclos antes mesmo do lançamento da segunda temporada. O spin-off Queen Charlotte, lançado em maio de 2023 com foco na origem da rainha interpretada por Golda Rosheuvel, somou mais de 148 milhões de horas assistidas em 28 dias, confirmando o apetite do público pelo universo.
O sucesso comercial não foi acompanhado de unanimidade crítica. O Rotten Tomatoes registra aprovação em torno de 70% entre os críticos para a primeira temporada, número modesto para um fenômeno de audiência dessa escala. Os elogios se concentram na direção de arte e na performance do elenco, enquanto as ressalvas apontam para roteiros que privilegiam o melodrama em detrimento da consistência narrativa. Ainda assim, Bridgerton segue como um dos projetos mais lucrativos da parceria entre a Netflix e a Shondaland, com merchandising, trilhas sonoras e eventos temáticos expandindo a marca para além da tela.



































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