Era Uma Vez Minha Primeira Vez: adaptação de Thalita Rebouças quebra tabu sobre sexualidade e Geração Z

O novo filme Era Uma Vez Minha Primeira Vez, baseado no universo literário de Thalita Rebouças, chega às telas com a promessa de dialogar abertamente com a juventude atual. Em entrevista exclusiva ao Pop Séries, a autora, a diretora e o elenco principal compartilharam os bastidores, as atualizações da história e a importância de falar sobre o prazer feminino de forma divertida e sem julgamentos.

Como o livro original foi escrito em 2011, a história precisou passar por adaptações para se conectar com os adolescentes de 2026. Embora a essência das personagens tenha sido mantida para não decepcionar os fãs de longa data, questões de atualidade e diversidade foram incorporadas.

Uma das mudanças mais notáveis envolve a personagem Patty. Thalita Rebouças explicou que, enquanto no livro a garota tinha certa aversão ao sexo, no roteiro ela ganhou um novo propósito: combater a falta de interesse dessa geração pelo assunto e falar abertamente sobre masturbação e prazer. “O mundo anda muito careta e eu acho que poder falar pra essas meninas que não é não, se respeitem, se amem no espelho, é essa a nossa intenção”, afirmou a escritora. A trama central também ganhou o reforço de um “pacto de virgindade”, ideia sugerida pelo roteirista JP Horta.

Visualmente, o filme se destaca por ser um ambiente extremamente colorido, refletindo a visão da diretora Claudia Castro sobre a juventude de hoje. Ela explica que o ritmo da Geração Z — acostumada a consumir conteúdos de 15 segundos — exigiu uma dinâmica acelerada, sem deixar “a peteca cair”. O objetivo, segundo Thalita, é fazer com que os adolescentes enxerguem a vida com mais otimismo e leveza, incluindo a forma como lidam com a sexualidade.

Para as atrizes (Castorine, Lívia Silva, Letícia Braga e Duda Matte), a experiência de estrelar um “quarteto protagonista” foi única. O elenco destacou que a preparação e os ensaios garantiram um processo criativo muito gostoso, em que as atrizes tiveram liberdade para propor ideias e se apropriar de suas personagens. A intérprete de Tuca ressaltou que descobriu muito de sua personagem a partir da interação genuína e da amizade construída com as colegas de elenco.

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O set de Era Uma Vez Minha Primeira Vez também foi marcado por desafios superados com criatividade. A atriz que interpreta a personagem Paty precisou gravar o projeto com o osso do pulso ferido. A solução das figurinistas foi criar um gesso 3D super estiloso, semelhante a uma munhequeira, que combinou perfeitamente com a personalidade da personagem e escondeu a lesão real.

O filme aborda de maneira leve o erro cômico das protagonistas de criarem tantas expectativas para perder a virgindade bem no último ano da escola, competindo com a viagem de formatura. As atrizes garantem que é uma obra “zero climão”, ideal para assistir com as amigas ou até com as mães.

E para quem já está com gostinho de quero mais, Thalita Rebouças adiantou que tem muitos planos para as garotas. A autora revelou que deseja escrever sobre as personagens em breve e brincou com a ideia de ter uma série de “15 temporadas” na cabeça, explorando cada “primeira vez” da vida adulta: o primeiro trabalho, a primeira briga séria com os pais e o primeiro “toco” amoroso.

Confira, abaixo, o bate-papo com o elenco de Era Uma Vez Minha Primeira Vez.

  • julia benvenuto foto Era Uma Vez Minha Primeira Vez: adaptação de Thalita Rebouças quebra tabu sobre sexualidade e Geração Z

    Julia Benvenuto é jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado). Com sólida experiência na cobertura de entretenimento e cultura, atuou como repórter para veículos de grande prestígio nacional, como a revista Casa e Jardim e o jornal Folha de S.Paulo. É pesquisadora da cultura pop e autora da tese acadêmica "A Revolução dos Losers: como o seriado Glee, valendo-se de símbolos da cultura pop e técnicas de dramatização da Broadway, representa a juventude do século 21”. No Pop Séries, dedica-se à crítica cinematográfica, à análise de narrativas televisivas e à cobertura dos principais lançamentos do mercado de streaming.

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