Lucifer chegou ao streaming da Netflix em 2016, produzida originalmente pela Fox e baseada no personagem criado por Neil Gaiman nas páginas da HQ The Sandman, posteriormente desenvolvido por Mike Carey em uma série solo pela DC/Vertigo. A adaptação televisiva ficou nas mãos de Tom Kapinos, roteirista conhecido pelo trabalho em Californication, e encontrou em Tom Ellis o rosto ideal para Lucifer Morningstar, um diabo carismático e autodestrutivo que abandona o inferno por tédio existencial e instala um piano-bar chamado Lux no coração de Los Angeles.
A premissa soa como comédia sobrenatural de baixo risco, mas a série foi construída sobre uma química improvável. Lucifer começa a colaborar com a detetive Chloe Decker, interpretada por Lauren German, depois de testemunhar um assassinato. A parceria vira rotina, e a dinâmica policial serve de estrutura para uma exploração constante de culpa, livre-arbítrio e redenção, temas que a produção leva mais a sério do que o tom leve sugere nas primeiras cenas.
A Fox exibiu a série por três temporadas. Os números de audiência foram consistentes, mas nunca explosivos, e a emissora cancelou Lucifer em maio de 2018 após a terceira temporada. A reação dos fãs foi intensa o suficiente para virar notícia: uma campanha organizada nas redes sociais pressionou outras plataformas a resgatar a produção, e a Netflix entrou no jogo poucos meses depois, em junho de 2018, encomendando uma quarta temporada. O movimento se repetiu mais tarde, quando a plataforma confirmou que a série terminaria na quinta temporada, e nova pressão do público garantiu uma sexta e última temporada, lançada em 2021.
Tom Ellis já tinha experiência em séries britânicas, como Miranda, mas foi Lucifer que projetou o ator galês internacionalmente. Sua capacidade de alternar charme, fragilidade e autoridade cênica segurou a série mesmo quando as tramas episódicas perdiam força. A parceria com Lesley-Ann Brandt, que vive a demônia Mazikeen, e com D.B. Woodside no papel do arcanjo Amenadiel, deu profundidade ao elenco de suporte e expandiu o universo mitológico da produção.
A recepção crítica foi morna nos primeiros anos. O Rotten Tomatoes registrou aprovação abaixo de 60% na primeira temporada, com críticos apontando a fórmula policial genérica como limitação. A partir da segunda temporada, quando a série aprofundou os arcos emocionais e arriscou mais na mitologia, o índice subiu. A quarta temporada, já na Netflix, recebeu a melhor avaliação da série na plataforma de críticas, com aprovação próxima de 90% entre o público.
A produção custou mais caro do que a aparência casual sugere. As locações em Los Angeles foram usadas estrategicamente, e o Lux, cenário central da série, foi construído em estúdio com detalhes que evoluíram entre as temporadas. A trilha sonora virou marca registrada: Tom Ellis cantou em vários episódios, e suas versões de músicas como Creep, do Radiohead, acumularam milhões de visualizações no YouTube, funcionando como material de divulgação orgânico.
Com seis temporadas e 93 episódios no total, Lucifer terminou em setembro de 2021 e permanece entre os títulos mais assistidos da Netflix em seu catálogo de séries encerradas, segundo dados divulgados pela própria plataforma nos anos seguintes ao encerramento.



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