Riqueza, beleza e status definem as pessoas em Hamptons, mas uma mulher está disposta a destruir todo mundo por vingança. Emily Thorne é nova na cidade, conheceu alguns vizinhos ricos, fez amigos e parece se encaixar bem no ambiente de luxo da elite novaiorquina. Algo, porém, não fecha: uma jovem vivendo sozinha em uma das regiões mais caras dos Estados Unidos levanta suspeitas naturais. A verdade é que Emily não é estranha àquele lugar. Aquela já foi sua casa, até que algo horrível destruiu sua família e apagou sua reputação. Agora ela voltou, e o plano é corrigir o passado da única forma que conhece: com vingança calculada e fria.
Revenge estreou na ABC em setembro de 2011 e foi criada por Mike Kelley, que adaptou livremente o clássico O Conde de Monte Cristo, de Alexandre Dumas, para o universo das mansões de veraneio da costa leste americana. A série não escondeu a referência literária e usou a estrutura do romance, traição, prisão injusta, retorno disfarçado e revanche metódica, para construir uma narrativa de thriller social com verniz de soap opera de luxo. A fórmula funcionou: o episódio piloto atraiu cerca de 9,6 milhões de espectadores nos Estados Unidos, um resultado expressivo para uma estreia de drama no horário nobre da ABC naquele momento.
Emily VanCamp assume o papel central com uma contenção que contrasta com o melodrama da trama. A atriz canadense já tinha experiência em dramas longos por conta de Brothers and Sisters, onde ficou quatro temporadas, mas Revenge foi o projeto que a colocou no radar do público mainstream. Madeleine Stowe, escalada como Victoria Grayson, a antagonista principal, trouxe peso e sofisticação ao papel. Stowe estava afastada de produções televisivas de destaque há anos e sua volta à telinha foi um dos pontos mais comentados pela crítica americana no lançamento da série.
A produção rodou parcialmente em locações reais em Southampton, Nova York, mas a maior parte das gravações aconteceu nos estúdios da Sony Pictures em Culver City, Califórnia. O design de produção priorizou o contraste visual entre a leveza das praias e o ambiente fechado, quase sufocante, das mansões da família Grayson. Esse equilíbrio estético foi elogiado por publicações como The Hollywood Reporter e Entertainment Weekly, que destacaram o piloto como uma das apostas mais sólidas da temporada 2011-2012 das emissoras americanas.
Revenge foi renovada para uma segunda temporada antes mesmo de completar a primeira exibição de seus episódios iniciais, o que diz bastante sobre a confiança da ABC no projeto. A série seguiu por quatro temporadas, encerrando em maio de 2015 com um final que dividiu a audiência. No auge, na primeira temporada, os números chegaram a mais de 10 milhões de espectadores por episódio em média, consolidando a série como um dos dramas mais assistidos da rede naquele ciclo.
Para o espectador brasileiro, Revenge chegou com tradução direta do título original e encontrou público fiel no canal AXN e posteriormente nas plataformas de streaming. A premissa simples e eficaz, uma mulher que sacrifica a própria identidade para destruir os responsáveis pela ruína de seu pai, sustenta o ritmo da série mesmo quando os roteiros das temporadas seguintes perdem força. O primeiro ano, no entanto, permanece como um dos exemplos mais competentes de thriller de vingança feito para a televisão americana na última década.

There are no reviews yet.