Lembra daquele arrepio na espinha quando o temível Klaus Mikaelson irrompeu pela primeira vez em The Originals? O híbrido original não era apenas um novo vilão; ele era um furacão, uma força da natureza com um plano sinistro e um charme letal que logo se tornou inconfundível.
Sua sentença, na verdade, já estava lavrada. Um vilão impiedoso, sim, mas destinado a ser apenas um obstáculo temporário na jornada dos irmãos Salvatore, Stefan e Damon, com um fim trágico e apoteótico planejado para o desfecho da segunda temporada. Um adeus dramático e final, era o que se esperava. Mas o destino, assim como a magia ancestral dos Mikaelson, tinha outros planos. Planos muito, muito maiores e infinitamente mais sangrentos.
Klaus: de vilão descartável a protagonista
Em uma reviravolta digna das mais chocantes revelações sobrenaturais, o carisma magnético de Joseph Morgan transformou o que era para ser uma aparição efêmera em um fenômeno global. Sua performance arrebatadora como Klaus Mikaelson não apenas conquistou uma legião de fãs sedentos por vampiros originais e sua linhagem ancestral, mas também fisgou os olhos atentos da produtora Julie Plec e dos executivos da CW.
Eles viram o potencial inexplorado, a profundidade oculta sob a fachada de crueldade inabalável e uma oportunidade de ouro para expandir um universo que já era um sucesso estrondoso. A decisão foi unânime: o plano de matar Klaus foi não apenas adiado, mas completamente descartado, dando origem a um spin-off que se tornaria tão icônico, e para muitos, ainda mais impactante que seu predecessor: The Originals.
E assim, Klaus, o híbrido original, fez suas malas – ou melhor, suas vítimas – e se mudou para a vibrante, mística e perigosamente sedutora Nova Orleans. Seu objetivo? Reaver o império que um dia foi seu, construído com sangue e poder, e, mais surpreendente ainda, proteger a filha que estava por vir, a poderosa Hope.

O juramento de sempre e para sempre
Desde sua criação, ao longo de cinco temporadas épicas e cheias de adrenalina, a narrativa de The Originals manteve-se firmemente ancorada em um pilar inabalável: a família. O voto de “sempre e para sempre” não era apenas uma frase bonita; era um juramento de sangue que Elijah, Rebekah e Klaus levavam a extremos impensáveis. Era a força motriz de cada arco, cada batalha, cada sacrifício. E mesmo que o protagonista utilizasse todas as suas habilidades para enfurecer, manipular e, por vezes, trair seus irmãos, o perdão – por mais difícil que fosse de ser conquistado – sempre prevalecia, reiterando a complexidade e a profundidade de seus laços ancestrais. Era uma dança mortal entre amor e ódio, lealdade e traição, que mantinha os espectadores colados à tela, ansiando por cada novo capítulo.
Com o fim de The Vampire Diaries, The Originals ainda conseguiu se manter por mais uma temporada e Julie conseguiu cumprir uma grande promessa que havia feito aos fãs. Caroline Forbes (Candice Accola) ganharia um lugar de destaque nos novos episódios.
No entanto, os produtores não preparam um final feliz para os Mikaelson – ainda mais quando a jornada de Klaus era pela redenção. Depois do sacrifício da mãe para protegê-la, Hope decidiu absorver toda a magia que estava no pai e nos tios. A decisão selou o seu destino e também uma morte inevitável.
Para proteger a filha, Klaus pediu a ajuda das gêmeas de Caroline e conseguiu transferir toda a magia para si. No fim, a única solução era se matar para proteger a todos. Elijah, assim como em toda a sua vida, não deixou o irmão só. Os dois protagonistas encontraram a morte numa espécie de redenção coletiva.
O final é um tanto questionável, embora siga a mesma filosofia adotada por Julie em The Vampire Diaries. Resta saber como Hope, agora com série própria na emissora, irá lidar com a morte dos dois pais.
Julia Benvenuto é jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado). Com sólida experiência na cobertura de entretenimento e cultura, atuou como repórter para veículos de grande prestígio nacional, como a revista Casa e Jardim e o jornal Folha de S.Paulo. É pesquisadora da cultura pop e autora da tese acadêmica "A Revolução dos Losers: como o seriado Glee, valendo-se de símbolos da cultura pop e técnicas de dramatização da Broadway, representa a juventude do século 21”. No Pop Séries, dedica-se à crítica cinematográfica, à análise de narrativas televisivas e à cobertura dos principais lançamentos do mercado de streaming.

