A HBO liberou o promo do terceiro episódio da quinta temporada de Game of Thrones, intitulado High Sparrow. O episódio coloca Cersei Lannister diante de uma ameaça doméstica mais sutil do que dragões ou exércitos. Margaery Tyrell, agora rainha após o casamento com Tommen, começa a exercer influência direta sobre o jovem rei, e Cersei percebe o movimento. É o tipo de jogo de poder que define Game of Thrones nos seus melhores momentos: sem espada desembainhada, apenas conversas de corredor e olhares calculados.
No Norte, Jon Snow recusa o pedido de Stannis Baratheon, que quer transformá-lo em Jon Stark e usar Winterfell como base de operações. A recusa é um dos pontos de virada da temporada para o personagem, que nesse arco assume o comando da Patrulha da Noite com uma série de decisões impopulares. Do outro lado do mar, Tyrion continua a viagem para encontrar Daenerys, passando por Volantis, uma das Cidades Livres mais detalhadas da geografia do livro A Dança dos Dragões, de George R.R. Martin, e que aparece em adaptação televisiva pela primeira vez aqui.
Lena Headey no centro do tabuleiro
Lena Headey vinha de uma trajetória televisiva sólida antes de Game of Thrones, com destaque para Sarah Connor Chronicles, mas foi Cersei que consolidou seu nome como uma das melhores atrizes de drama da televisão americana dos anos 2010. Ela recebeu indicações ao Emmy por cinco anos consecutivos pelo papel, de 2014 a 2018, sem vencer, o que virou um caso à parte na conversa sobre os limites do prêmio em reconhecer performances de fantasia.
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Kit Harington, por sua vez, estava na série desde o piloto em 2011 e construiu Jon Snow como um personagem de poucas falas e muita carga física. A quinta temporada é decisiva para ele: o arco termina no episódio Mother’s Mercy com uma das cenas mais comentadas da história recente da televisão. Emilia Clarke, que interpreta Daenerys Targaryen, divide atenções na temporada com os acontecimentos em Mereen, onde sua governança começa a mostrar rachaduras.
O peso da quinta temporada na trajetória da série
A quinta temporada marcou o ponto em que Game of Thrones começou a se descolar da fonte literária de forma mais sistemática. Até a quarta temporada, os roteiristas David Benioff e D.B. Weiss tinham o material de Martin como base densa. A partir de 2015, com Os Ventos do Inverno ainda sem data de lançamento, a série passou a tomar decisões narrativas próprias, algumas elogiadas, outras contestadas pelos leitores dos livros.
Esse episódio em particular apresenta o personagem do Alto Pardal, interpretado por Jonathan Pryce, que seria um dos destaques críticos da temporada. Pryce, veterano do teatro britânico e do cinema, trouxe ao papel uma ambiguidade religiosa que rendeu à série uma das dinâmicas de poder mais discutidas daquele ano televisivo.
Para quem acompanha a série pela lógica de onde cada peça está no tabuleiro, o episódio funciona como o momento em que os lados ficam mais nítidos antes de o jogo virar. Cersei, Jon e Tyrion tomam posições que definem o que resta da temporada, e o Alto Pardal entra em cena como a variável que nenhum deles soube calcular a tempo.
Amanda Negrini é jornalista formada pela Universidade Metodista de São Paulo e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado). Especialista em cultura pop e comportamento, é pesquisadora musical e autora da tese acadêmica “A Evolução das cantoras Pop Americanas: a criação de Madonna e a inovação de Lady Gaga".
Com credencial de imprensa internacional, cobriu eventos como a San Diego Comic-Con e a New York Comic-Con, realizando entrevistas exclusivas com criadores e elencos de produções globais como The Walking Dead, Supernatural e Cobra Kai. No Pop Séries, dedica-se à análise de premiações, videoclipes, comportamento no entretenimento e à cobertura de séries clássicas e contemporâneas.



