NCIS: Wilmer Valderrama fala de sua estreia na série

Wilmer Valderrama entra na 14ª temporada de NCIS como Nick Torres, um agente disfarçado que seus próprios colegas acreditavam estar morto. A temporada estreia nesta terça, 22, às 22h, no AXN, e traz a maior mudança de elenco da série em anos, depois que a saída de Michael Weatherly, o DiNozzo, abriu uma lacuna que os produtores decidiram não preencher com um personagem parecido, mas com algo estruturalmente diferente.

Torres e o lobo solitário que NCIS nunca teve

Nick Torres passou anos infiltrado na América Latina sem contato com a agência. Quando seu disfarce é descoberto, ele é obrigado a voltar a Washington para alertar o time sobre ameaças em andamento. O problema: para a maioria dos agentes ao redor, ele é um desconhecido com um dossiê de morto. Wilmer Valderrama descreveu o personagem como “imprevisível, instável, acostumado com estresse”, alguém que resolve situações de forma direta, nem sempre dentro do protocolo. É um perfil que contrasta com a dinâmica mais coesa que NCIS cultivou ao longo de 13 temporadas, e o choque entre Torres e o restante do time é o motor dramático que os roteiristas escolheram para renovar a série.

NCIS chegou à 14ª temporada como um dos procedurais mais assistidos da televisão americana, consistentemente entre os cinco programas com maior audiência nos EUA durante boa parte da última década. Em 2015, a série chegou a registrar médias superiores a 20 milhões de espectadores por episódio, um número que poucos dramas conseguem sustentar em era de fragmentação de audiência.

Fez Fez, agente secreto

Para Valderrama, a transição é significativa. Ele passou oito temporadas como Fez em That ’70s Show, a sitcom da Fox que rodou de 1998 a 2006 e o tornou conhecido de uma geração inteira de espectadores. Desde então, construiu uma carreira diversificada em séries como From Dusk Till Dawn: The Series, da Netflix, e trabalhos pontuais em produções voltadas ao público latino, mas nunca com uma plataforma tão ampla quanto NCIS.

Na entrevista ao Pop Séries, ele falou sobre a pressão de entrar em uma série com história tão consolidada: “Estou criando o meu papel, não preenchendo o de ninguém.” É uma distinção importante, porque a saída de Weatherly gerou especulação considerável sobre como a dinâmica do grupo se sustentaria. A resposta dos produtores foi inserir um outsider em vez de um substituto funcional, alguém cuja própria estranheza em relação ao grupo vira argumento de roteiro.

That ’70s Show: onde está o elenco da série hoje

Mark Harmon, que interpreta Gibbs desde o início da série e é também produtor executivo, teve papel ativo na integração do novo ator. Wilmer Valderrama mencionou que os dois “se tornaram amigos de verdade” durante a produção, o que importa num set onde a química do elenco é parte do produto. NCIS funciona, em grande medida, porque os personagens centrais parecem ter uma história compartilhada. Introduzir alguém de fora exige que esse equilíbrio seja recalibrado sem perder o que já funciona.

O que esperar dos novos episódios

NCIS é, com frequência, subestimado pela crítica especializada em comparação com dramas de prestígio, mas seus números de audiência contam uma história diferente. A série sobreviveu a saídas de elenco que teriam encerrado produções menores, como a saída de Cote de Pablo em 2013, e continuou crescendo. A 14ª temporada chega depois de uma renovação dupla pela CBS, o que sinaliza confiança da emissora na longevidade do formato.

Wilmer Valderrama entra nesse contexto como aposta de rejuvenescimento. Torres traz um perfil de ação mais físico e imprevisível do que os personagens estabelecidos, o que permite à série explorar tramas de infiltração e operações encobertas com um protagonismo que o elenco atual não comportava tão facilmente. Para o espectador que acompanha NCIS há anos, é menos uma disrupção do que uma expansão, e a questão prática é se Torres vai ganhar profundidade suficiente para justificar o espaço que ocupa. Os primeiros episódios vão responder a isso antes que qualquer análise consiga.

  • julia benvenuto foto NCIS: Wilmer Valderrama fala de sua estreia na série

    Julia Benvenuto é jornalista formada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Jornalismo Cultural pela FAAP (Fundação Armando Alvares Penteado). Com sólida experiência na cobertura de entretenimento e cultura, atuou como repórter para veículos de grande prestígio nacional, como a revista Casa e Jardim e o jornal Folha de S.Paulo. É pesquisadora da cultura pop e autora da tese acadêmica "A Revolução dos Losers: como o seriado Glee, valendo-se de símbolos da cultura pop e técnicas de dramatização da Broadway, representa a juventude do século 21”. No Pop Séries, dedica-se à crítica cinematográfica, à análise de narrativas televisivas e à cobertura dos principais lançamentos do mercado de streaming.

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