A segunda temporada de The Boys trouxe Lamplighter como uma das adições mais bem calibradas da série: um ex-membro dos Sete que ressurge na vida de Butcher e companhia depois de ser dado como morto, carregando um histórico sujo o suficiente para comprometer toda a estrutura da Vought.
Fogo, culpa e o fim mais dramático da temporada
Lamplighter não aparece apenas como obstáculo, mas como personagem com peso moral próprio. Junto com Stormfront, ele comandou um hospital psiquiátrico onde a Vought realizava experimentos em pacientes na tentativa de estabilizar o Composto V. Quando o plano vem à tona, o personagem carrega o ônus de quem participou ativamente, não apenas seguiu ordens. O desfecho que a série escolheu para ele, a autoimolação na sede dos Sete, é coerente com esse arco. É um gesto de ruptura, não de redenção fácil.
O ator Shawn Ashmore, que interpreta o personagem, vê o suicídio de Lamplighter como um ato com intenção política dentro do universo da ficção. “Ele estava tentando mandar uma mensagem para os Sete, que estava infeliz com aquela situação que estava vivendo”, disse Ashmore ao Pop Séries. “Eu não sei se o Homelander vai entender ou ligar para ela, mas ele estava tentando fazer algo.” Para Ashmore, o que torna a morte interessante não é o espetáculo, mas o que ela tenta comunicar. Se a mensagem chega, a série deixa em aberto.
O homem que já foi Homem de Gelo
Ashmore chegou a The Boys com um currículo específico no gênero. Ele viveu Bobby Drake, o Homem de Gelo, em quatro filmes da franquia X-Men da Fox, entre 2003 e 2014, incluindo X-Men 2 e X-Men: Dias de um Futuro Esquecido. A diferença entre os dois personagens não é apenas moral. É estrutural. O Homem de Gelo existe dentro de uma narrativa de heroísmo clássico; Lamplighter existe num universo onde o heroísmo é, na maioria das vezes, relações públicas financiadas por corporação.
“Eu não vejo ele como um cara mau, mas uma pessoa que tomou más decisões, é um pouco mais complexo”, disse o ator. “Foi o que me encantou neste mundo de The Boys, como é diferente das outras séries do gênero.” Essa complexidade é precisamente o que separa The Boys de grande parte da ficção com super-heróis em produção atualmente. A série criada por Eric Kripke, showrunner conhecido pelo desenvolvimento de Supernatural ao longo de 15 temporadas, constrói seus personagens a partir de falhas sistêmicas, não de acidentes de origem.
Nos quadrinhos de Garth Ennis, em que a série se baseia, Lamplighter tem um destino diferente. Ele entra em coma depois de levar um tiro de Grace Mallory, que busca vingança pela morte do filho. A Vought tenta ressuscitá-lo, sem sucesso completo. A série optou por uma saída mais definitiva e mais simbólica, o que fechou o arco na segunda temporada, mas não necessariamente descarta o personagem para o futuro.
O figurino que ficou no armário
Ashmore não esconde o interesse em voltar. “Adoraria ver ele com o Soldier Boy e toda a origem em flashbacks. Eu gosto muito do show, adorei trabalhar com Kripke”, afirmou. O argumento prático que ele levanta tem peso real na produção: o processo de criação do figurino de Lamplighter foi longo e detalhado, e usar esse material por apenas alguns episódios representa um investimento criativo considerável desperdiçado se o personagem não retornar.
The Boys foi renovada para uma terceira temporada pela Amazon antes mesmo do encerramento da segunda, o que indica confiança da plataforma nos números. A série estreou sua segunda leva de episódios em setembro de 2020 e encerra em 9 de outubro no Amazon Prime Video. Com Soldier Boy confirmado como figura central para a próxima temporada, interpretado por Jensen Ackles, outro nome com raízes em Kripke e Supernatural, o terreno para revisitar a história dos Sete em flashbacks existe. Se Lamplighter aparece nesse contexto, Ashmore já deixou claro que está disponível.

